Prevenção de Alzheimer: um compromisso para a vida toda?

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Estudos recentes, alguns epidemiológicos e outros de investigações em modelos animais da doença de Alzheimer, sugerem que exercícios – físicos e mentais – podem ajudar o cérebro a combater as mudanças patológicas que causam a doença de Alzheimer.
Os cientistas acreditam que a educação pode proteger contra a doença ao aumentar o número e a força das conexões entre neurônios no cérebro, formando uma reserva cognitiva. De acordo com essa teoria, quando a patologia começasse a danificar os neurônios cerebrais, essa reserva teria condições de cobrir as conexões perdidas. Diversos ensaios efetuados em cérebros, após a morte de seus doadores, revelam que pessoas com maior nível educacional e maior freqüência de exercícios mentais, mantém suas atividades cerebrais mais bem preservadas.

Mas nem todos concordam com a teoria da reserva cognitiva. Um grupo de cientistas que analisou escritos antigos de uma população com mesmo nível educacional e considera que o nível lingüístico pode prever o desenvolvimento da doença ainda melhor que o nível de educação. Aqueles que com 22 anos tinham uma menor habilidade lingüística tiveram um alto risco de apresentar Alzheimer. Isso pode indicar que a doença tenha um componente importante relacionado com processos de maturação e desenvolvimento cerebral, processos que ocorrem antes do nascimento e durante a infância e adolescência.
Isso não significa, no entanto, que não há nada que possa ser feito para diminuir a probabilidade da doença. Comprometer-se ao longo da vida com atividades intelectuais pode ajudar - ou até mesmo ser necessário – na proteção contra o surgimento da doença de Alzheimer. Acredita-se que todas as formas de lazer, com exceção de assistir à televisão, requerem atividade mental. A televisão não necessariamente faz o cérebro regredir, mas pode ser uma marca de um estilo de vida intelectualmente inativo. Esses estudos, porém, ainda não conseguiram eliminar a possibilidade de que uma pequena atividade intelectual seja um sintoma precoce da doença e não uma causa.
Da mesma forma, estudos indicam que o exercício físico pode ser tão bom para a mente quanto para o corpo ao diminuir o declínio cognitivo. Uma rotina variada de exercícios pode reduzir à metade o risco de demência, em comparação com aqueles que estão engajados em um único tipo ou não têm nenhuma atividade física. As conclusões obtidas, que indicam os benefícios dos exercícios físicos, recebem um apoio adicional de estudos de imagens de cérebros humanos e de modelos animais para a doença de Alzheimer.
Ainda não é clara a maneira com que o exercício físico melhora a manutenção e o funcionamento cerebrais. Estudos com roedores apontam para três possibilidades: o estímulo do crescimento de vasos capilares no córtex (região do cérebro envolvida no aprendizado e na memória); a produção de proteínas que estimulam o crescimento neuronal, e que levam a outras mudanças que poderiam fortalecer as conexões entre os neurônios; ou ainda a prevenção na formação do amilóide, típica da doença de Alzheimer.
Os pesquisadores alertam que as pessoas devem agir antes de ficarem velhas, já que para prevenir a patologia, deve-se fazer algo antes do desenvolvimento dos problemas de memória. A vantagem é que as intervenções para se prevenir Alzheimer são muito parecidas com as recomendadas para prevenir obesidade e doenças cardiovasculares. O exercício físico não tem custo, tem muito pouco efeito colateral, e na pior das hipóteses, é benéfico para a saúde corporal.

Fonte: Preventing Alzheimer



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